Nossas Noites
Autor: Kent Haruf.
Páginas: 160 .
Editora: Companhia das Letras.
Nota: 5/5. ♥
Nota: 5/5. ♥
Exemplar cedido pela editora para divulgação.
Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.
Olá, gente.
A resenha de hoje é uma cortesia da editora que eu já estava querendo ler há muito tempo. Só tinha visto a sinopse "por cima" e estava fugindo das resenhas mais descritivas, porque queria me surpreender e, de certa forma, foi uma surpresa ótima.
Antes de qualquer coisa, é um livro curto, 160 páginas, os capítulos são apenas numerados, sem título, o que eu acredito ajuda muito para leitura fluir, e os mesmos começam praticamente do meio da página e alguns deles têm apenas uma página. Então, quando você percebe já está no vigésimo capítulo, leu sem pular as páginas e tem todas as informações das quais precisa, de uma forma concisa, sem muito floreios, mas de uma beleza singular.
Aliás, o que me chamou a atenção nesse livro foi a simplicidade em vários aspectos, na escrita, na narração, na própria história, nos personagens, e isso me encantou de uma forma muito especial. Não é uma história sobre grandes acontecimentos históricos, nem personagens heróicos derrotando monstros imaginários, não que eu seja contra isso, muito pelo contrário, gosto muito. Mas sabe quando você fica meio saturado de certo tipo de história? Foi o que aconteceu comigo, e poder ler esse livro, com uma narrativa tão singela e personagens tão apaixonantes, que me deu um gás de ler mais e me deixou com um quentinho no coração.
Mas vamos a história.
Addie é uma senhorinha viúva de 70 anos, que perdeu um filho e o marido, enquanto seu outro filho está distante dela, tanto em quilômetros quanto em sentimentos, e agora se sente muito só. Ela mora numa cidade do interior, com uma paisagem bem campesina, tem uma amiga, Ruth, que é uma senhorinha mais velha do que ela, e que, pra mim, é uma das melhores personagens do livro. Na mesma rua de Addie mora Louis, um professor de inglês, viúvo, com uma filha que também mora longe dele, e da qual se sente responsável pela vida que ela tem por erros que ele cometeu no passado, e que também se sente muito sozinho.
Então, Addie vai até a casa de Louis e lhe faz uma proposta: que este fosse dormir com ela todas as noites, para que pudessem conversar e ambos não se sentissem tão solitários. Ele, após pensar um pouco, decide aceitar e a história se desenvolve aos poucos, a cada noite em que Louis passa na casa de Addie e eles vão ficando mais próximos.
As conversas são o ponto alto do livro, nestas são debatidos alguns assuntos tabus na velhice, e são coisas muito factíveis, pessoas que qualquer um poderia conhecer. É a história mais romântica sem clichês exagerados que eu já li.
O livro percorre o dia-a-dia, e por isso traz não só as coisas boas, mas os pensamentos, delírios e enfados. Nem todos os dias são excessivamente emocionantes, mas todos os dias são únicos por apenas existirem. E isso é bonito demais, gente.
"Só quero levar uma vida simples e prestar atenção no que acontece a cada dia. E vir dormir com você à noite.Bom, isso é o que estamos fazendo. Quemm imaginaria a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente."
No meio desses dias, acompanhamos Addie e Louis, e suas aventuras com Ruth, Jamie (o neto de Addie) e Bonnie (a cachorrinha dele), e a vontade que dá é de estar lá com eles, comendo um sanduíche de queijo com maçã debaixo de uma grande árvore e tomando banho num riacho cristalino.
E em como todas as grandes histórias de amor, essa também tem suas pedras no caminho, e a gente fica só torcendo quietinho do outro lado, para que tudo dê certo no final.
Enfim, se tiverem tempo, leiam! É um livro tão curtinho, mas de uma grandeza sentimental, que acredito que todos deveriam ler. Então é isso, gente.
Até mais,
Melissa Espínola.
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