Mostrando postagens com marcador Editora Bússola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editora Bússola. Mostrar todas as postagens

Resenha: Mistério na Festa da Padroeira - Marcelo Antinori.

11 julho 2016

Mistério na Festa da Padroeira
Coleção Sereia de Vidro

Autor: Marcelo Antinori.
Editora: Bússola pocket
Páginas: 96. 

Resenhas anteriores:

Neste terceiro livro da coleção Sereia de Vidro, Marcelo Antinori leva o leitor para uma das festas mais tradicionais de São Paulo, a de Nossa Senhora de Achiropita no Bixiga.
Enquanto Carmen e Zé Luis procuram o sonhado apartamento em Santos, a ser pago com a recompensa ganha de Coutinho, o narrador diverte-se com Ana Pérsia e Verônica nos hotéis da capital. Mal sabia que Luciana, sua mulher – agora livre do amante francês – é contratada pelo chefão do tráfico para organizar a festa da padroeira do Bixiga.
O que deveria ser um novo rumo na carreira de Luciana torna-se um pesadelo na vida do narrador, uma vez que o risco de sua mulher e sua amante se conhecerem pessoalmente nas noites em que o evento rola à solta pelas ruas do tradicional bairro paulistano é enorme.
Teria Coutinho contratado Luciana por coincidência ou ele nutria segundas intenções? Em paralelo, as "mulheres" dos chefões do crime organizado pressionam Coutinho para elucidar quem está matando travestis no centro da Capital. Mistério na Festa da Padroeira é escrito com precisão e fluidez por um dos autores brasileiros mais prolíficos da atualidade no Brasil.

O escritor protagonista sem nome volta nesse terceiro volume da Série Sereia de Vidro com mais um mistério: desta vez, o que se quer saber é quem está por trás dos espancamentos e mortes de travestis. Por outro lado, temos a vida pessoal do personagem principal, que está com um problema: Coutinho, que antes estava ao seu lado, está agora tentado seduzir sua esposa Luciana. Para lidar com esses isso, nosso personagem conta com a ajuda da Madre Cristina, que lê cartas de tarô. Mas, imaginem o que o escritor pensa quando a Madre tira para ele a carta da morte. Muitas coisas estão para acontecer! 


Mais uma vez, Marcelo Antinori me surpreendeu com sua incrível capacidade de escrever todo o necessário para que o leitor entenda a história em tão poucas páginas. O livro é pequeno, tem 92 páginas e fonte grande, mas os acontecimentos são bem descritos, não deixando nenhuma dúvida sobre o enredo. 

Esse terceiro volume, como os dois primeiros, traz a podridão da realidade da nossa sociedade à tona, mas desta vez, temos algo mais específico: o ódio aos travestis. Ou seja, homens que gostam de travestis, mas, ao mesmo tempo, sentem vergonha de gostar e acabam culpando os trans. É interessante a forma como o autor traz essa problemática em uma trama policial, ainda mais pelo ponto de vista de um homem e de uma personagem travesti, que é amiga do protagonista, ou seja, dois pontos de vista diversos. É importante salientar que isso realmente ocorre na atualidade e essas mulheres sim, elas são mulheres) sofrem todos os dias, mas a mídia não nos mostra isso. 

"No final das contas, haviam sido oito os ataques, sendo três as vítimas fatais: a primeira "caiu" da escada da Rua dos Ingleses e quebrou o pescoço; a segunda foi atropelada na Rua Rui Barbosa quando tentava fugir; a terceira morreu sufocada com a traqueia esmagada depois de ter levado um chute no pescoço no coreto da Praça Orione." Página 60. 

Do outro lado, temos Luciana e Coutinho. Vamos combinar que essa gente não sossega. Luciana é contratada pelo chefe do tráfico para organizar eventos. Coutinho tem tanta coisa para fazer, coisas para traficar e gente para intimidar, mas ainda consegue ficar paquerando a esposa dos outros. Ô homenzinho ser caráter! Por que será que eu sempre imagino caras assim bem bonitos fisicamente? Já consigo imaginá-lo sendo interpretado pelo Armando Babaioff. <3  

Com esses problemas, o protagonista recorre à Madre Cristina, que só traz mais dúvidas quando não explica para ele a carta da Morte que ele tirou do baralho de tarô. Mas, eu como leitora estava bem confiante, se a Madre estava sorrindo, então tudo estava certo, porque ela sempre acerta todas! 

A escrita do autor está perfeita, mais uma vez. É uma narrativa em primeira pessoa bem fácil de se ler e entender. Não há nenhum errinho de revisão. A única dúvida que tenho em relação ao autor é: como ele sabe o significado de todas aquelas cartas de tarô? Fiquei muito curiosa! Mas, vou perguntar em uma possível entrevista!

E o final me surpreendeu bastante! A forma como as coisas se resolveram foi bem pensada e bem escrita. A última página me deixou tão pasma quanto deixou o protagonista, mas só o que posso dizer sobre isso é: Madre danadinha! 

Vocês não devem se surpreender comigo recomendando e recomendando e recomendando a Série Sereia de Vidro para todos vocês, pois eu gosto muito do gênero, dos livros e também do autor. Espero que vocês possam ler e que gostem da trama tanto quanto eu. Acredito que esse foi o volume do qual mais gostei! 


Beijos <3



Viu algum erro nesse texto?
Envie um e-mail para bloglivrosecores@gmail.com

Postagem válida para o Top Comentarista de Julho de 2016. 

Resenha Premiada: Sereia de Vidro - Marcelo Antinori.

13 outubro 2015
Título: Sereia de Vidro.
Autor: Marcelo Antinori.
Editora: Bússola.
Páginas: 72.
Compre: Amazon | Submarino | Saraiva

Um escritor frustrado sofrendo de bloqueio criativo resolve, por indicação de alguns amigos, fazer uma leitura de Tarô num convento em São Paulo. As cartas, mais do que meros símbolos, passam a indicar caminhos e personagens que ele até então desconhece.
Movido por uma curiosidade insaciável, e genro de um poderoso empresário paulista, ele embrenha-se num universo novo e desconhecido, tendo o centro de São Paulo e seus locais pitorescos como pano de fundo.
Através de um texto ágil e preciso, ele logo vê-se envolvido numa teia de acontecimentos inusitados na companhia de uma mulher linda e misteriosa que o leva ao crime organizado, a corrupção e as mais altas esferas do poder. Sereia de Vidro é o primeiro volume da Coleção Sereia de Vidro, escrito com maestria por Marcelo Antinori. Sereia de Vidro é o título escolhido para lançar os novos selos da editora Bússola nos formatos impresso e digital.

Resenha: Morte na FLIP - Paulo Levy.

22 janeiro 2015

Título: Morte na Flip.
Autor: Paulo Levy.
Editora: Bússola.
Páginas: 272.
Classificação: 5/5
Site do autor.

 Vai começar a Flip–Festa Literária Internacional de Palmyra, um dos eventos literários mais charmosos do mundo. Na décima edição da festa e com a cidade cheia, o delegado Joaquim Dornelas está dividido entre a alegria e a preocupação. Para ele, quanto mais gente e mais festa, maior a chance de confusão. E é claro que o inesperado acontece, momentos antes do show de abertura: Dornelas se vê diante de uma cena que põe a si mesmo e a sua equipe, em estado de alerta. Um crime é cometido no início da madrugada. Pressionado pelo chefe e pela imprensa, nesta nova e saborosa aventura, Dornelas se vê envolvido numa complexa rede de fatos e intrigas que procuram desviar o rumo da investigação e confundir a polícia. Embalado por sua amizade colorida com Dulce Neves, por doses de sua cachaça favorita, por seu empenho como pai à distância e por seu mingau de farinha láctea, o delegado Joaquim Dornelas mais uma vez usa de aguçada intuição e incrível faro policial para desvendar mais um complicado crime.



Morte na FLIP, do autor brasileiro Paulo Levy, é um livro policial (meu gênero favorito, yes) e é o segundo livro do autor. Eu li o primeiro livro, Réquiem para um Assassino, e já resenhei aqui no blog. O primeiro volume nos traz o delegado Joaquim Dornelas e um crime que aconteceu na cidade de Palmyra, onde ele mora e trabalha. Neste segundo volume, o delegado volta, mas o crime é outro, ou seja, não é necessário ter lido o primeiro livro para ler este. 


Com muitos quotes marcados *-*


Neste segundo livro, está acontecendo a FLIP - Festa Literária Internacional de Palmyra e, é claro, que um crime acontece. O corpo de uma mulher é encontrado e, em seguida, o de um marinheiro também. Com o passar das investigações, descobre-se que a mulher morta era uma famosa autora de livros direcionados ao público feminino. O que piora a situação, já que aumenta o número de jornalistas querendo saber sobre o caso.

"- [...] Autores, em geral, são bichos muito solitários, passam dias sentados diante de uma folha de papel ou tela de computador com nada além de seus pensamentos [...]."

Só posso dizer que este livro não me surpreendeu, pois eu já estava preparada para ele! Depois de ler o primeiro, eu já sabia o quão bom este seria. Se Réquiem Para um Assassino não conseguiu a classificação máxima aqui no blog, Morte na Flip conseguiu com honra!

O autor escreve muito bem. É o primeiro nacional que leio, desde a crianção do blog, que não possui um erro sequer e ainda tem uma trama interessante, criativa e coerente. Se eu não soubesse que o livro é escrito por um homem, mesmo assim eu adivinharia. É uma narrativa prática e objetiva. Sabe quando você quer ser melhor amiga do autor? Pois é.

O meu ponto favorito na história, com certeza é o protagonista, Joaquim Dornelas. Ele tem personalidade forte, é intuitivo e tem bom caráter. Podemos ver isso desde a parte em que ele fala com o filho (depois da ex-esposa reclamar que pegou o menino se masturbando no banheiro), até a parte em que ele, praticamente, obriga seu vice a voltar para a mulher que acabou de ganhar um bebê. 

"- A Suzana precisa de apoio também - prosseguiu o chefe. - Sei que é difícil para você. Mas imagine para ela, que passa o dia todo com a criança. Pense nos sacrifícios que ela fez, nas mudanças do corpo, nas incertezas, nas dificuldades para identificar os tipos de choros, fome, fraldas, as primeiras febres. Não pense que no momento do parto nasceu apenas o seu filho, nasceu também uma mãe nela, uma nova mulher que não existia antes. É um milagre da natureza. Não perca isso, Peixoto."

O final deste livro é mais satisfatório que o do livro anterior, claro que não é tão surpreendente quanto os desfechos criados por Harlan Coben, mas mesmo assim me deixaram satisfeita com a leitura. E eu me surpreendi com isso, pois achei que eram esses finais "cabulosos" que eu mais gostava em um livro policial/de suspense. Então, porque eu gostei tanto dos livros do Paulo Levy? Porque o livro inteiro é cheio de conteúdo, e isso compensa. O mistério todo está na forma como o delegado descobre pouco a pouco novas pistas, novos suspeitos... O delegado Dornelas é fantástico. Ele sente o cheiro de gente culpada, rs.

Outras duas coisas importantes a dar ênfase são: o relacionamento do delegado com a Dulce Neves e as partes engraçadas do livro. É bom saber que o autor consegue inserir, levemente, outros dois gêneros no meio de sua obra, para nos deixar pegar um fôlego! Ah, também temos a diagramação, que está perfeita e a capa, que apesar de parecer simples, combina perfeitamente com o conteúdo. 

Gente, pode parecer que estou elogiando demais o livro. Sim, sou suspeita, pois amo livros policiais, amo desvendar os mistérios junto com o protagonista. Mas, acho que quando um livro (ainda mais nacional) é bom, isso deve ser dito. Sinceramente, eu espero que Paulo Levy escreva muitos outros livros sobre o Joaquim Dornelas - assim como a Agatha Christie fez com Hercule Poirot e assim como J. K. Rowling (ou Robert Galbraith) pretende fazer com Cormoran Strike.

"Ao som das ondas contra as rochas, do vento frio contra as ondas e o corpo, com a balbúrdia da festa como pano de fundo, refletiu sobre o tempo que dedicara, em toda a vida, à elucidação de crimes cometidos por razões no mínimo estúpidas, porém humanas: dinheiro, poder, ciúme, inveja, avareza e pura maldade. E no melhor dos casos, se é que isso é possível: amor. 'O ser humano é um bicho muito estranho', concluiu."


Resenha: Réquiem para um Assassino - Paulo Levy.

17 novembro 2014


Parecia uma manhã como outra qualquer na pequena Palmyra, uma cidade histórica no litoral do Rio de Janeiro. A caminho do trabalho, o delegado Joaquim Dornelas se espanta com um movimento incomum nas ruas. Diante da Igreja de Santa Teresa e da Antiga Cadeia, no Centro Histórico, uma multidão observa o corpo de um homem atolado na lama seca do canal. Ninguém sabe como o corpo foi parar lá. Não há sinais de arrasto, marcas de barco, violência, ferimentos, nada. Apenas um band-aid na dobra interna do braço esquerdo. Abandonado pela mulher e longe dos filhos, o delegado Dornelas, um tipo humano, amante de cachaça e de mingau de farinha láctea, se envolve de corpo e alma no caso em busca de salvação. Sem aviso, a irmã do morto e um vereador poderoso aparecem para dar informações importantes sobre o que se tornaria um caso de dimensões bem maiores do que Dornelas poderia imaginar. Aos poucos se revela uma complexa teia de interesses envolvendo a política, o tráfico de drogas, a prostituição e a comunidade local de pescadores. A intuição aguçada, a cultura e o conhecimento das forças que movem a natureza humana permitem ao delegado Joaquim Dornelas se mover habilmente pelo emaranhado de fatos e versões que a trama apresenta. O que a princípio seria mais uma investigação na sua carreira, se torna para o delegado uma jornada de transformação pessoal.

Título: Réquiem Para um Assassino.
Autor: Paulo Levy.
Editora: Bússola.
Páginas: 224.
Classificação: 4,5/5.
Compre: Saraiva.
Site do autor.


"Réquiem para um assassino" é um livro que veio na hora certa, já que faz um bom tempo que não leio romances policiais - meu gênero favorito. Assim, eu estava super preparada para ler o livro e prestar atenção sem ficar comparando-o a outros.



 O livro nos traz Joaquim Dornelas, delegado da cidade de Palmyra, recém abandonado pela esposa e viciado em trabalho. Tudo começa quando um corpo é encontrado no canal e ninguém sabe de quem é esse corpo. Depois que a suposta irmã do homem assassinado e um vereador da cidade vão conversar com o delegado, o mistério aumenta ainda mais. Várias pessoas parecem estar envolvidas, muitas delas parecem culpadas. A questão não é tão simples assim, como "quem matou?" e "porquê matou". O que fazer quando o corpo encontrado faz vir à tona problemas na política da cidade - como superfaturamento de obras da Câmara de vereadores -, tráfico de drogas e prostituição?

Ao olhar para o bando de curiosos em terra seca, Dornelas lamentou o gosto mórbido do povo pela morte.

Confesso que eu não esperava que esse livro fosse me agradar assim. Mas, essa trama é bem intrincada, os personagens são bem descritos e o mistério - que é a melhor parte - é bem presente. Só não dei a nota máxima, pois o final do livro e a resolução do mistério foram um tanto óbvios demais para mim. Eu já havia pensado na hipótese apresentada e prefiro quando os finais me surpreendem. A parte boa é que há brecha para uma continuação e, talvez, a suposta verdadeira resolução desse suspense ainda nos seja revelada! Imaginem minha ansiedade para ler esse segundo livro!

Dornelas largou o telefone, desanimado. Sabia muito bem como giravam as engrenagens da burocracia do poder público brasileiro. O meandro de papéis, requisições, comprovantes, relatórios e carimbos, com o objetivo primeiro e claro de intimar a corrupção, ganhou com o tempo um aspecto tão monstruoso e asfixiante, quase com vida própria, que permitia até corruptos inaptos tirarem proveito de olhos fechados.

É super interessante ver como funciona - ou como não funciona - a burocracia no Brasil, ver como agem os policiais nas cidades pequenas... Enfim, a realidade brasileira. Além disso, era quase como se o livro fosse um relato de fatos reais, pois os personagens são palpáveis, quase como se fossem vizinhos, parentes. Ninguém é perfeito. Não há heróis ou vilões. É todo mundo normal, todo mundo brasileiro.

- Pobre fica sem comida e bebe água suja, mas não fica sem novela, doutor.

O delegado Dornelas, apesar de aparentar ser durão, é, de certa forma, sensível. Se importa com as pessoas à sua volta e ainda se sente magoado pelo abandono da esposa e sente saudades dos filhos. Mas, minha personagem favorita no livro inteiro é a Marina Rivera. Ela é o tipo de pessoa em quem eu votaria para presidente.

Debaixo da água, sozinho, Dornelas apertou os olhos, arreganhou os dentes, e num grunhido animalesco, chorou de dor.

Se tem algo que amo em um bom romance policial são os clichês básicos de um livro do gênero, como, por exemplo, os insights* que os policiais/investigadores tem de vez em quando sobre o crime, muitas vezes quando estão fazendo coisas corriqueiras.

Com cautela, Dornelas aproximou o peixe do casco, debruçou-se sobre a amurada e quando o puxou pelo rabo para fora da água, uma lâmpada se acendeu na mente e ele ficou ali, de pé, estático, segurando o peixe pelo rabo por alguns segundos, como se esperasse que alguém lhe tirasse uma foto.

Para finalizar, quero recomendar esse livro à quem gosta do gênero. O autor soube manter a atenção do leitor focada, com sua boa escrita e enredo intrincado. Gostaria de agradecer ao Paulo Levy pela oportunidade dessa leitura!

Super beijos e até a próxima! <3


*Insight: é um substantivo com origem no idioma inglês e que significa compreensão súbita de alguma coisa ou determinada situação. [...] Nos desenhos, o insight é representado com o desenho de uma lâmpada acesa em cima da cabeça do personagem, indicando um momento único de esclarecimento em que se fez luz. Fonte.