Título: Perdão, Leonard Peacock.
Autor: Matthew Quick.
Editora: Intrínseca.
Páginas: 222.
Classificação: 4/5.
“Se você é tedioso, legal e normal – como
eu costumava ser – certamente não vai se sair bem nas aulas de
arte do colégio e será um artista medíocre na vida.[...] Daí, a
chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das
pessoas comuns. Algo que importe.”
Leonard Peacock é um aluno comum do ensino médio, mas ele tem planos para mudar essa realidade. No dia de seu
aniversário, Leonard tem uma lista de coisas a fazer, de pessoas das
quais se despedir.
Leonard Peacock irá se matar. Isso depois que
matar seu colega de classe, Asher Beal.
Tudo está bem planejado. Ele tomará seu café
da manhã, deixará uma lembrancinha para sua mãe, que nunca se
importou com ele, se despedirá das pessoas queridas e, finalmente,
dará outra vez uma “utilidade” à pistola nazista que herdou.
Primeiramente, eu gostaria de fazer um aviso:
não, o livro não está sujo. A capa é assim mesmo. Sei lá, talvez
eu não seja a única que cai nessa, então é sempre bom avisar.
Em geral, os conflitos pelos quais Leonard passa
não são muito diferentes dos da maioria dos personagens fictícios
com tendências suicidas de outras histórias. O que realmente chama
atenção é a forma introspectiva como ele a conta para o leitor.
Lentamente, e sempre com uma opinião crítica em relação à
sociedade, Leonard vai nos revelando cada vez mais sobre sua vida e
os motivos que o levaram a querer tomar o caminho do suicídio.
A forma dramática com a qual a história é
narrada, incrementada por dosagens muito bem feitas de humor negro,
provavelmente colocará até o mais conformado dos leitores a
questionar o “funcionamento” da sociedade em que vivemos, e
talvez até mesmo a se identificar com o perturbado e comovente
narrador da história.
Embora a história seja extremamente focada em
Leonard, achei os outros personagens bem trabalhados, ao ponto em que
achei uma pena que eles não tenham sido mais explorados durante o
decorrer da trama. Até mesmo Asher, que para mim foi o personagem
que mais teve influência sobre Leonard durante toda a trama, não
teve muito espaço no livro, e acabou tendo suas aparições resumidas a alguns poucos flashbacks. Ainda assim, não tem como negar que foi o bastante para entendermos a influência que ele teve na vida de nosso protagonista.
Para mim, "Perdão, Leonard Peacock" é um livro para se ler quando estiver à procura de algo diferente. O segredo é abrir a mente, e não criar expectativas. Com certeza valerá o tempo gasto.







