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Resenha: Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

18 setembro 2014


Título: Perdão, Leonard Peacock.
Autor: Matthew Quick.
Editora: Intrínseca.
Páginas: 222.
Classificação: 4/5.

Se você é tedioso, legal e normal – como eu costumava ser – certamente não vai se sair bem nas aulas de arte do colégio e será um artista medíocre na vida.[...] Daí, a chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das pessoas comuns. Algo que importe.”

Leonard Peacock é um aluno comum do ensino médio, mas ele tem planos para mudar essa realidade. No dia de seu aniversário, Leonard tem uma lista de coisas a fazer, de pessoas das quais se despedir. 
Leonard Peacock irá se matar. Isso depois que matar seu colega de classe, Asher Beal.
Tudo está bem planejado. Ele tomará seu café da manhã, deixará uma lembrancinha para sua mãe, que nunca se importou com ele, se despedirá das pessoas queridas e, finalmente, dará outra vez uma “utilidade” à pistola nazista que herdou.


Primeiramente, eu gostaria de fazer um aviso: não, o livro não está sujo. A capa é assim mesmo. Sei lá, talvez eu não seja a única que cai nessa, então é sempre bom avisar.

Em geral, os conflitos pelos quais Leonard passa não são muito diferentes dos da maioria dos personagens fictícios com tendências suicidas de outras histórias. O que realmente chama atenção é a forma introspectiva como ele a conta para o leitor. Lentamente, e sempre com uma opinião crítica em relação à sociedade, Leonard vai nos revelando cada vez mais sobre sua vida e os motivos que o levaram a querer tomar o caminho do suicídio.

A forma dramática com a qual a história é narrada, incrementada por dosagens muito bem feitas de humor negro, provavelmente colocará até o mais conformado dos leitores a questionar o “funcionamento” da sociedade em que vivemos, e talvez até mesmo a se identificar com o perturbado e comovente narrador da história.

Embora a história seja extremamente focada em Leonard, achei os outros personagens bem trabalhados, ao ponto em que achei uma pena que eles não tenham sido mais explorados durante o decorrer da trama. Até mesmo Asher, que para mim foi o personagem que mais teve influência sobre Leonard durante toda a trama, não teve muito espaço no livro, e acabou tendo suas aparições resumidas a alguns poucos flashbacks. Ainda assim, não tem como negar que foi o bastante para entendermos a influência que ele teve na vida de nosso protagonista.

Para mim, "Perdão, Leonard Peacock" é um livro para se ler quando estiver à procura de algo diferente. O segredo é abrir a mente, e não criar expectativas. Com certeza valerá o tempo gasto.

Resenha de filme: Magia ao Luar

04 setembro 2014

Nome: Magia ao Luar
Direção: Woody Allen
Elenco: Colin Firth, Emma Stone, Hamish Linklater
Nota: 3,5/5



Wei Ling Soo é o pseudônimo usado pelo famoso ilusionista Stanley em suas apresentações. Conhecido por seu ceticismo, Stanley acredita que tudo no mundo tenha uma explicação racional, e que não existe nada além daquilo que é físico e visível.

O ceticismo de Stanley, contudo, pode ir por água abaixo quando ele vai para o sul da França, a pedido de um amigo, para tentar desmascarar Sophie, uma jovem que afirma ter poderes mediúnicos. De início, Stanley não parece acreditar que a garota seja mais do que uma impostora com trejeitos exagerados e suposições bobas, mas quanto mais o ilusionista passa seu tempo com ela, mais difícil se torna achar uma explicação plausível para os acontecimentos envolvendo Sophie.

Com as tentativas de descobrir a farsa por trás da garota, Stanley começa, não apenas questionar sua própria descrença, como também a se aproximar inusitadamente da médium.


Logo que o filme começou, a primeira coisa que me chamou atenção foi a música de fundo, que entrega, logo de cara, que seja um filme de Woody Allen. Logo em seguida, somos apresentados ao show de mágica de “Wei Ling Soo” que, propositalmente ou não, me lembrou o filme “Le Magicien”, de George Meliès. Talvez a fotografia em estilo “filme antigo” tenha colaborado para isso, e digo que, apesar de não ser muito do meu agrado, combinou bem com o filme. Além disso, o ar simplista da narrativa, aliado ao belo cenário francês, tornaram o filme uma obra bastante prazerosa aos olhos.

Agora, saindo um pouco das questões mais técnicas, preciso de um momento pra falar da personagem que mais me chamou atenção no filme; Sophie. Okay, eu sei que uma personagem se auto proclamando médium e agindo de forma exagerada sempre que diz ter uma visão não é nenhuma novidade. Mas Sophie não é apenas isso; ela é uma personagem carismática, alegre, e que, fora seus momentos de visões, poderia certamente ser uma pessoa do mundo real. Seu carisma não está em ações excessivamente bondosas, mas em seu jeito sorridente, ou em sua total aceitação às tentativas de Stanley de desmascará-la. 


A trama, como já se espera de um filme de Woody Allen, não segue um ritmo muito típico dos filmes norte-americanos, mas o diretor conseguiu mantê-lo relativamente estável durante o decorrer do filme, mesmo em momentos de surpresas e descobertas, o que, para mim, foi um ponto a mais para o andamento do filme.

Por fim, mesmo não chegando nem perto de ser uma das melhores obras do diretor, “Magia ao Luar” é um belo filme, e mostra que algumas coisas na vida simplesmente não precisam de uma explicação lógica.

Resenha: A Extraordinária Garota Chamada Estrela - Jerry Spinelli

21 agosto 2014



Título: A Extraordinária Garota Chamada Estrela.
Autor: Jerry Spinelli.
Editora: Gutenberg.
Páginas: 189.
Classificação: 3/5.


“Ela era fugaz. Ela era hoje. Ela era amanhã.[…] Nós não sabíamos o que fazer com ela. Em nossa mente, tentávamos fixá-la em um quadro de cortiça como uma borboleta, mas o alfinete simplesmente se soltava e ela voava para longe.”

Não há nada de muito diferente na escola de Leo. Todos os alunos seguem um padrão, e assim os dias se passam. Até o dia em que uma garota que atende pelo nome “Estrela” aparece. E desde seu primeiro dia na escola, a nova aluna se mostra bastante diferente dos outros. Desde seu modo de se vestir até a forma de agir é completamente diferente do que todos os outros alunos já viram.

Estrela rapidamente torna-se conhecida por todos na escola pela sua forma alegre e otimista de ser, cantando parabéns para os alunos aniversariantes durante os intervalos das aulas, presenteando aqueles que não conhece... Estrela vira um enigma para os alunos, que logo começam a criar teorias para o comportamento peculiar da garota.

“Nós queríamos defini-la, etiquetá-la como fazíamos uns com os outros, mas não conseguíamos ir além do 'esquisita', 'estranha' e 'patética'.”

Estrela contagia seus colegas. Mostra a eles que o mundo pode ser um lugar alegre, e logo faz Leo se apaixonar. Mas a popularidade dura pouco e, como muitas vezes acontece em nossa sociedade, o diferente se torna repudiado.

Um livro simples, daqueles que você pode pegar para ler em um dia e sentir um sorriso brotar no rosto. Se eu ignorasse o fato de que Estrela aparentemente não é influenciada por ninguém ao seu redor, como se as pessoas nascessem com uma personalidade específica, e não evoluíssem levando em conta principalmente a convivência com as pessoas ao redor, “A Extraordinária Garota Chamada Estrela” provavelmente entraria na minha lista de favoritos.

Com seu ukulele e seu inseparável rato de estimação, Canela, a garota tem uma filosofia de vida contagiante e que provavelmente nos faz questionar nosso modo de ver o mundo. Não é difícil se familiarizar com as situações passadas pela garota. Provavelmente todo o mundo já passou por alguma situação na qual foi reprimido por ser diferente de um certo grupo.

Mas será que ser diferente é assim tão ruim? Será que a felicidade está em ser aceito pelos outros? Talvez essa extraordinária garota possa ser a resposta.


      A garota chamada Estrela. Ela é tão mágica quanto o céu do deserto. É tão estranha quanto seu rato de estimação. É tão misteriosa quanto seu próprio nome. Com um simples sorriso, ela cativa totalmente o coração de Leo Borlock. Com sua alegria, ela incendeia uma revolução por liberdade e autenticidade no espírito de sua escola.
      No começo, os colegas encantam-se com ela por tudo o que a faz ser diferente. Mas isso começa a mudar, e Leo, apaixonado e apreensivo, percebe que a única coisa que pode salvá-la das críticas é a mesma que pode destruí-la: ser alguém comum.
      Nesta celebração do inconformismo, o premiado Jerry Spinelli tece um conto tenso e comovente sobre os percalços da necessidade de ser popular e da emoção e inspiração do primeiro amor.

Resenha de Filme: Chef.

16 agosto 2014
Nome: Chef
Direção: Jon Favreau
Elenco: Jon Favreau, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson
Nota: 3,5/5


É melhor levar comida pro cinema.

Carl é chef de cozinha em um luxuoso restaurante de Los Angeles, e ama o que faz. Por causa de sua obsessão pelo trabalho, acaba não dando a devida atenção para seu filho.

Ao receber uma crítica negativa do mais conhecido crítico gastronômico da cidade, Carl tem a autoestima esmagada, e chega a começar um embate extremamente infantil – daqueles dignos de briguinhas no Facebook – com o crítico no Twitter.

Resenha: O lado bom da Vida - Matthew Quick.

06 agosto 2014

Título: O Lado Bom da Vida.
Autor: Matthew Quick.
Editora: Intrínseca.
Páginas: 254.
Classificação: 5/5.

Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele 'lugar ruim', Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um 'tempo separados'.
Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora.

Eu não sei dizer por que exatamente este livro me chamou a atenção no exato momento em que coloquei os olhos nele. Pode ter sido a capa, que achei linda (sim, eu conheço o velho ditado, mas não consigo evitar minha fissura por capas de livros) ou talvez o fato de eu ter gostado do filme. A questão é; ao terminar de ler, me encontrei simplesmente apaixonada pelo livro e por seus personagens tão intrigantes e realistas.

“[...] agora minha vida é o filme a que vou assistir e, bem, está sempre passando.”

O ex-professor Pat Peoples acaba de voltar para Collingswood, sua cidade natal, após um longo período internado em uma instituição psiquiátrica (que ele denomina como “lugar ruim”). E tudo o que ele quer no momento é reencontrar sua esposa Nikki, e ter a oportunidade de ser um bom marido para ela.

Porém, algumas coisas não parecem fazer muito sentido. Como o fato das fotos de Nikki terem desaparecido da casa dos pais de Pat, com os quais ele voltou a viver, ou seus amigos insistirem em tentar juntá-lo à Tiffany, uma jovem mulher sem papas na língua que nunca se recuperou da morte do marido.

Apesar de todas as opiniões contrárias que encontra pelo caminho, Pat acredita que, se for uma boa pessoa (e devo dizer que sua lógica de como ser uma boa pessoa nem sempre soa muito... lógica), Deus o perdoará, e o permitirá viver ao lado de Nikki outra vez. Esse seria, segundo ele, o final feliz de seu filme.

Com o decorrer da trama, porém, Pat se depara com diversas pessoas e situações que parecem contradizer sua lógica, e sua perseverança (ou talvez obsessão) terá que ser muito forte para que ele consiga alcançar seu tão sonhado final feliz.

Devo admitir que, no início, eu estranhei um pouco a narrativa em primeira pessoa. Os pensamentos de Pat são, muitas vezes, confusos e mirabolantes, frutos das perturbações de sua mente. Porém, logo que me acostumei à “lógica Pat” de pensar, me apaixonei tanto pela narrativa quanto pelo personagem que a lidera.

O que eu achei mais interessante na narrativa foi me sentir em meio à neurose de Pat. Há diversas situações nas quais o leitor não tem certeza se o que o protagonista narra é real ou algum exagero criado por sua mente.

Outra personagem que me intrigou foi Tiffany. Sua forma cínica e explosiva de agir, mesmo afastando-a das pessoas, é justamente seu diferencial, o que a torna uma personagem tão complexa quanto Pat. É a forma que encontrou para lidar com uma ferida que nunca se curou.

" - Olha, gostei de passar um tempo com você, e acho que você é realmente bonita, mas sou casado – digo, e mostro meu anel de casamento como prova.
 - Eu também – diz, e mostra o anel de diamantes em sua mão esquerda."

Mais do que um livro sobre um homem tentando recuperar sua esposa, “O Lado Bom da Vida” é uma história sobre a procura pela felicidade, e sobre a descoberta de que a vida não é como um filme... ou talvez seja.

Nova Equipe!

05 agosto 2014
Olá, como vocês estão?
Hoje, eu trouxe uma super novidade para vocês. Estou muito feliz em apresentar as três colaboradoras do blog: Natália Bellieny, Bárbara  Prado e Izandra Mascarenhas. Como você sabem, eu estava sozinha aqui no blog, além disso eu achei que seria interessante vocês terem resenhas de pessoas diferentes, com pontos de vista diferentes... Vamos conhecê-las?

Izandra Mascarenhas: 24 anos, estudante de Direito, leitora compulsiva. Mãe de seis gatos e um chow-chow, divide a guarda e o amor integral dos animais com o marido.

Natália Bellieny: Saudações, leitores! Estou muito feliz por fazer parte da equipe do Livros e Cores. Meu nome é Natália, tenho 21 anos. Sou estudante de cinema e roteirista, e também tenho interesse em me aventurar no mundo da escrita.

Bárbara Prado: Oi, meu nome é Bárbara, tenho 14 anos. Leonina. Ao criar meu blog, tive a certeza de que nasci para humanas. Meu maior hobby é escrever, quando coloco as palavras a tona, é como se fosse um passarinho que está se libertando da gaiola. Amo ler também, livro é o que mais tem no meu quarto. Fiquei super feliz quando a Roberta me aceitou para fazer resenhas aqui. A partir de agora, todas as segundas iremos nos encontrar. Espero que vocês gostem, e deem suas opiniões, críticas e sugestões.

Lindas, né? Estou super feliz mesmo por elas terem se inscrito para colaboradoras! O blog ficará cada vez melhor com a participação delas! Então é isso! Não deixem de conferir as resenhas que estão vindo por aí! Beijos <3